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02/06/2017

[RESENHA] Uma crítica profunda sobre Proibido da Tabitha Suzuma

Foto: Jessie - Livros e Um Segundo Mundo
     Okay! hum... Então... vamos lá.
    O livro me emocionou muito e eu ainda não sei por onde começar essa resenha. Mas, antes uma pequena observação para você que está com dúvida sobre o tema envolvido: incesto.

Só um pequeno aviso: Comecei a leitura dessa obra literária mais por curiosidade da minha parte para saber como uma história assim terminaria. Admito que eu fiquei com receio por causa do assunto incesto. Imaginei qual seria a sensação ou os sentimentos da minha parte. No entanto, eu queria tanto ler, que apenas peguei o livro, abri e o li.   Eu sabia que era necessário que eu abandonasse qualquer opinião minha sobre incesto, isto para que eu pudesse envolver-me com a história dos personagens e entendê-los. Afinal, mesmo se eu não tivesse gostado eu não poderia julgá-lo como um livro ruim só porque ele não atendeu as minhas expectativas, ou o tema abordado não me agrada.   Por fim, ou melhor, ainda no começo, descobri que esse é um livro de romance como qualquer outro (nem parece que eles são realmente irmãos e admito que isso ajudou bastante), onde duas pessoas se amam. Para poder se envolver com a leitura é necessário que a gente afaste o nosso "eu acho" sobre incesto pelo menos até que o livro acabe. Então, se você quiser ler, mas ainda assim tiver receio, apenas vai e começa a ler. Você vai perceber que nem parece que eles são irmãos, e assim poderão ENTENDER os sentimentos do Lochan e da Maya.


Título Original: Forbiden
Autora: Tabitha Suzuma
Editora: Valentina
Páginas: 304
Ano: 2014
ISBN-10: 8565859363
Classificação: 5











S O B R E   O   L I V R O
     O início da história a autora usa para preparar todo um terreno ao nos mostrar a vida dos personagens. Acompanhamos a dura realidade da família de irmãos, onde o pai os abandonou quando o mais velho, Lochan, tinha apenas treze anos de idade. A partir desse dia, a mãe dos mesmos não seria mais a mesma. Se tornando ainda mais uma mulher egoísta e indiferente, toda semana era um namorado novo, bebia todos os dias, e chegou a um ponto onde só aparecia em casa para pegar roupas e voltar para a casa do novo namorado, Dave. Com três irmãos ainda pequenos, Lochan e Maya tinha a tarefa de cuidar deles, desde o banho da matina até por para dormir no fim do dia. Se revezavam com tarefas domésticas, levar as crianças na escola, fazer um drible com as contas de casa para pagar, e principalmente dar uma boa criação a Kit, Tiff e Willa. De início, o principal medo dos irmãos mais velho é que alguém descobrisse que sua mãe é uma desequilibrada total e avisassem a Serviço Social, o qual separariam os cinco e os levariam para a adoção.

Os capítulos são alternados entre Maya e Lochan, e eu amei isso. Narrando o dia a dia com as crianças, escola e os problemas pessoais pude ver no livro assuntos que vão além do incesto. Se você for do tipo de leitor que consegue tirar lições escondidas nos livros, irá entender o que quero dizer.


C R Í T I C A
       Algumas pessoas acham o começo um pouco lento. Eu até achei nas primeiras páginas, mas foi porque eu só estava esperando que acontece (o momento da descoberta de sentimentos) uma coisa que ainda não estava na hora, e não estava sabendo aproveitar as "preliminares". Acredito que a escrita e o tempo fluiu do jeito que deveria para abordar um tema um tanto delicado. A autora estava preparando todo o terreno antes de fazer brotar os primeiros indícios do que viria a ser um amor de homem e mulher e não apenas "irmão e irmã". O que, se o leitor estiver concentrado, já vai perceber logo. Mas vamos por partes...

A mãe (se assim podemos chamar) das crianças é uma tirana fina e muito mais! Em seus momentos de aparições no livro podemos ver que ela finge aos menores (os quais ficam o tempo todo pedindo por um momento com ela) que está exausta do trabalho. Só aparece em casa para pegar roupas novas. Chegando a ser uma vez na semana.

"[...] a única razão de os dois terem se casado foi ela ter engravidado acidentalmente de mim — um fato que adora jogar na minha cara sempre que temos uma discussão." - Lochan

Eu realmente não estou sabendo como resenhar essa obra! Creio que esse livro tem muito mais conteúdo para ser discutido do que falar apenas sobre o material e a forma da narrativa. Mas vamos lá. A escrita da autora é leve e como eu já havia dito ela soube preparar o desenrolar da relação do casal. Tabitha não chegou já no início e fez com que os dois irmãos já estivessem sentindo atração um pelo outro. Durante ótimas narrativas (não cansativas) vamos descobrindo como foi e como é a luta diária não só da Maya e do Lockie, mas dos irmãos ao todo. O livro é especial e bastante emocionante. e para aproveitar a leitura é necessário que o leitor saia da sua zona e seja sensível para poder interpretar bem as situações, sentimentos e diálogos.

Se por um momento o leitor se esquecer que Maya e Lochan são irmãos, nunca mais irão se lembrar, rs. Não vemos nada além de duas pessoas carregando uma responsabilidade de pais nas costas. Se a estrutura familiar fosse diferente acredito que eles não se apaixonam. O que esperar deles dois? Maya, a irmã mais velha que faz papel de mãe e Lochan, o irmão mais velho que faz o papel de pai? Sem contar que eles não tem tempo de se entrosar com outras pessoas, pois estão o tempo todo fazendo o papel que os pais deles deveriam estar fazendo!

"Como ela está se afastando cada vez mais da vida familiar, Maya e eu dividimos tacitamente as tarefas: ela limpa, ajuda com o dever de casa, põe as crianças para dormir; eu faço as compras, cozinho, separo as contas, busco Tiffin e Willa na escola."

Esquecendo a frase "vocês são irmãos" e partindo do ponto onde se analisa a convivência deles, eu sinceramente, em momento algum os vi como parentes, mas como homem e mulher que dividem o mesmo teto. O que já ajudou em não ter problema algum quando os dois se beijam e dormem juntos (sem muita descrição).

Quando descobrem que estão apaixonados é claro que eles ficam apavorados, e o mais difícil é saber como lidar com a situação. Se já era perigoso perder as crianças por causa de uma mãe desnaturada, imagina dois irmãos que estão remotamente apaixonados um pelo outro? Os quais a sociedade chamam o amor deles de doentio e nojento? Mas eles se amam e querem poder se amar. "Como uma coisa tão errada pode parecer tão certa?"

A alguns anos atrás, talvez eu acusasse os dois irmãos. Diria até mesmo que Lochan era culpado. Mas graças a Tabitha, em arriscar escrever um livro com o tabu que ele é, eu pude 'acompanhar' de pertinho a realidade dos dois. Os sentimentos da Maya e os do Lochan. É errado porque é o que a sociedade diz e diferente do Brasil, lá no Reino Unido incesto é crime! Mas é certo porque eles não se veem como irmãos. No mínimo, sempre se viram como amigos por estarem juntos em todos os momentos; e parceiros por cuidarem não só da casa e não apenas do estado financeiro, mas emocional das crianças. Eles não fazem mal a ninguém estando juntos. Mas se fazem um mal danado estando separados.

Como não se apaixonar por Lochan? E ele, um garoto que sofre tanto com problemas sociais como emocionais, como não se apaixonar pela única garota da sua faixa etária que ele divide o teto todos os dias e que consegue abrir o coração? Que o ajuda nas tarefas difíceis que a vida o presenteou, e a vencer os seus próprios medos?

Quem gosta de romance, quem tem curiosidade sobre o ponto de vista do incesto partindo dos irmãos, vai com tudo! Leia. Só para avisar que, para mim eu nem liguei muito em relação ao tema abordado, porque o amor dos dois é uma das histórias mais lindas e arrasadoras que já li. Sério!


OBSERVAÇÃO EXTRA E DIGNA.
 
Foto: Jessie Faustino - Livros e Um Segundo Mundo

"— Socorro — arquejo contra a minha vontade. — Não sei o que está acontecendo comigo!"
- Lochan

      Essa foi uma das partes que mais me emocionaram. Se alguma coisa no livro não te agrada (como o incesto) temos que analisar todos os outros pontos da obra. O estado do Lochie foi o que mais me chamou atenção e me prendeu na leitura. Principalmente quando você consegue entender um pouco da situação que o personagem está passando. Essa frase, esse diálogo dele é de um grande significado para as pessoas que conseguem se colocar no lugar do outro. Nós sabemos o quão difícil é falar dos nossos sentimentos e principalmente pedir para alguém de fora ajudar a acabar com o caos que está dentro. E sim, eu chorei mesmo. Essa frase é tão... argh!

Não sei se pelo fato de eu está passando por uma situação parecida, mas o caso do Lochan foi o que mais mexeu comigo. Ele é um garoto de dezessete anos, mas mesmo com toda a decepção com os pais, e mantendo a responsabilidade (e um bom coração) para continuar vivendo e cuidando dos irmãos menores que ainda são incapazes de cuidar de si mesmo, ele continua se esforçando para tirar boa notas no colégio. Talvez isso pareça pequeno para quem ainda não leu a obra, mas depois percebemos que é de suma importância para ele e qualquer outro que estivesse em situação parecida!

Bom, na área escolar a escritora usou para mostrar que o Lochie não se envolve nas aulas e não conversa com ninguém que não seja da sua própria família. A simples ideia de ser notado em sala de aula o apavora. Recentemente venho tendo problemas para apresentar seminários, chegando a ponto de desistir e ficar sem nota. E minha vida (graças a Deus) não chega nem perto de ser como a do Lockie. Mas eu sei como essa parte é difícil.

Algumas pessoas, principalmente professores, acham que é por "capricho" ou até mesmo preguiça. No caso do Lockie, meu coração sofreu junto com o dele, e eu pude ver tudo de um ângulo diferente. Todos que não sabiam o que ele passava em casa exigiam cada vez dele. Sem saber como ele se sentia horrível e derrotado só em não conseguir perguntar as horas para alguém. Em não flertar de volta com alguma garota. E para piorar, ainda tinha a pressão de entrar em uma boa universidade — coisa que ele e os professores sabem que ele tem capacidade, mas fora isso, ele tinha uma responsabilidade muito maior. Ele tinha uma família para proteger.

As crianças também são uns amores. É óbvio que tem os seus momentos de cafeína, mas fora isso, elas são mais uma lição de vida para nós. Quem melhor do que crianças para nos levar de volta ao mundo dos sonhos? Ao tempo em que nós sempre acreditamos que o mal do adulto é achar que tudo é difícil? rsrs

Kit é o irmão do meio. O terceiro da escadinha. Alguns dizem que ele está passando por uma fase de adolescente revoltado, mas, eu me esforcei para me pôr em seu lugar. Sabemos que uma pessoa de treze anos está começando a descobrir o mundo. Os amigos perigosos são os que fazem as coisas mais legais, não gostamos dos irmãos mais velho porque sempre estão querendo mandar na gente, e por ai vai. Kit, acredito que como

Percebemos que desde o irmão mais novo ao mais velho, tem problemas emocionais. Enquanto um acaba se fechando por proteção, o outro agride não somente para chamar a atenção, mas como uma forma de se iludir achando que pode se proteger sozinho. O livro não é só uma obra maravilhosa sobre romance e incesto, é uma obra sobre amizade, família, um olhar de criança e um olhar adulto. É uma daquelas obras que te acrescentam alguma coisa! E a mim, posso dizer que acrescentou!

"— Você não pode ficar se culpando por tudo, só porque é o filho mais velho. Nada disso é culpa sua, nem o fato de mamãe beber, nem o de papai ter ido embora, nem o de Kit ficar do jeito que ficou. Não há nada que você pudesse ter feito além do que já fez." — Maya.

OBSERVAÇÃO: Essa resenha vai fazer um ano esse mês que era p/ ser postada, mas o período em que sumi daqui impediu-me de fazer isso. (risos)

Estou retornando nesse segundo semestre aqui para o blog
e desejo a vocês um semestre bastante criativo e produtivo!
Obrigada pela sua visita Baby. Até o próximo post! 

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