[RESENHA] Crítica de "Antes que Eu Vá" - Lauren Oliver

09:38:00

Foto: Jessie - Livros e Um Segundo Mundo



Título Original: Before i Fall
Autora: Lauren Oliver
Editora: Intrínseca
Páginas: 368
Ano: 2011
ISBN-10: 858057059X
Classificação: 4,5











R E S U M ÃO: 

     Samanta é uma jovem de 17 anos, mora em uma linda casa com os seus pais e sua irma mais nova, Izzy. Ela tem (quase) tudo que uma "ex-nerd" que se considerava infeliz (daqueles típicos clichês norte-americanos) quer ter: um namorado cobiçado por muitas e as amigas mais populares do colégio. Mas nem sempre foi assim, mas esses motivos nós vamos descobrindo com o virar das páginas. Acredito que uma das coisas que mais atrai o leitor quando ele passa os seus lindos olhos pela sinopse de "Antes que Eu Vá", é a questão da Sam não ser mais um personagem escolar que almeja ser popular. Mas que já está no auge! O que um personagem desses tem para contar, afinal? Muitas coisas, muitas histórias.

Bom, o livro começa em uma sexta-feira (12) onde se comemora o Dia do Cupido. Sam e todos do colégio tratam o dia como algo sagrado. O porque? Ai vai: quanto mais rosas você recebe, mais significa o quanto é amável. Mas, algo da errado durante o dia e ao invés de acordar no dia seguinte, uma quinta-feira, ela acorda no mesmo dia, e parece que só ela consegue notar essa repetição diária — que no inicio ela interpreta como um dejavu. Pois todas as outras pessoas agem como se fosse a primeira vez que estivessem vivendo o dia 12.



C R Í T I C A  /  P R O P O S T A

      Eu havia ficado chateada pela narrativa arrastada, pelas questões que — naquele momento pareciam importantes para o leitor, e que acabaram ficando em aberto no fim. Então serei bem direta: se você está em busca de romance, de muita diversão e dessas histórias e descrições mais bonitinhas das relações, sinto muito, mas você não irá encontrar nesse livro. Lauren escreveu sobre a importância dos dias e de cada pessoa. Então entendi que na verdade os pontos não estavam sem nó, mas que a vida da gente não vai esperar a boa vontade da nossa parte para concertar as coisas que não fizemos antes. Se você quer ler sobre isso, se joga, porque vai gostar. Se não for isso, esquece.

Lembro que quando comecei a leitura eu comecei a comparar bastante com os filmes e series norte-americano, como: O Clube dos Cinco, As Vantagens de Ser Invisível e principalmente Meninas Malvadas. Fala muito sobre sexo só por fazer, perder a virgindade como se fosse algo obrigatório antes dos dezoito, pessoas consideradas "derrotadas" e o uso de drogas como se fosse tão importante como beber água. Porém, tudo isso pelo olhar, não do nerde-esquisitão, mas da popular, compreendem?

E sinceramente? Eu senti tanta pena das pessoas que acham que é importante impressionar alguém para serem feliz. Ainda não consigo entender em como alguns jovens desejam ser amigo da galera popular quando está visível que são pessoas más. A Sam, por exemplo, tirava boas notas, era uma pessoa maravilhosa, mas, por achar que era algo ruim ser nerd e amiga de certos tipos de pessoa, passou a beber, fumar e deixar de falar com amigos que antes era próxima. Tudo isso para ser aceita. Para mim, é como se ela estivesse vendido a vida dela para entrar no inferno, e não. Não estou sendo radical.

Cara, leiam esse livro, sabe? Não esperando um romance ou aventuras e coisas parecidas, mas é o tipo de história que te faz pensar em que tipo de ser humano você está sendo. A Lauren mostra isso através de cada um dos personagens: eles possuem suas próprias vidas fora da escola, têm famílias diferentes, personalidades, mas no fim estão todos inseridos no mesmo circulo social. Senti que é isso que a Lauren quis dizer a nós, principalmente os jovens: a que ponto você está disposto a chegar para ser aceito? Você está disposto a abrir mão de si mesmo? Da sua personalidade, de quem você é, apenas para que as outras pessoas — que para falar a verdade nem são boas — te aceitem? Aproveite a sua vida cara, com as pessoas de verdade. Viva. Você não vai sentir quando for o seu último dia.

Infelizmente, a Sam percebe tarde demais que em algum momento da estrada de sua vida ela entrou em um beco. Quer dizer, as amigas da Samantha nem são amigas de verdade. Nem são boas pessoas. A Lidsay, Elody e a Ally são os tipos de garotas orgulhosas, egocêntricas e que costumam fazer papel de 'vadi*s' e vilãs em outros livros e filmes. E ainda assim, a Sam as considera amigas e desculpe-me se estou errada, mas eu não consigo entender isso. Não consigo ver como alguém pode ser amigo de outra pessoa quando o coloca para baixo. A Sam namora o cara por quem as garotas do primeiro ano vivem suspirando e venderiam a própria casa só para dançar (lê-se esfregar-se) com ele. Mas a Sam nem o ama. E ela sabe disso, mas ainda assim está com ele. Com isso, a Lauren mostra que nem sempre as pessoas estão feliz de verdade quando se exibem por ai. Acho que a Sam só estava com todas essas pessoas no final das contas porque ela tinha ao seu lado o que os outros desejavam. Mais um ponto aqui: a Sam não faz o tipo personagem boa que estamos acostumados a ler.

"— De quem são as outras rosas? — Sam.
— Da concorrência. — Rob."

Foto: Jessie - Livros e Um Segundo Mundo
N A R R A T I V A

      Arriscar escrever um livro onde os dias se repetem é algo muito arriscado, pois, as falas, as atitudes dos personagens, cada coisa que aconteceu antes irá acontecer novamente. Cada coisa que aconteceu no capítulo anterior também vai acontecer no próximo. Acredito que ai você já tira uma ideia do quanto pode ser cansativo, não é? Mas calma, a autora não repete tudo ao pé da letra. Porém, fica obvio que o leitor já sabe a ordem de cada coisa acontecer. Mas é exatamente ai que a personagem Sam entra: ocorreu não somente uma, mas várias coisas horríveis naquele dia e que ela precisa mudar. E até que ela perceba isso o leitor já tá seriamente pensando em ir assistir uma novela.

A repetição de fatos e de algumas falas sinceramente me deixaram cansada e entediada em todo o livro. A escrita da autora é boa, mas é rica em adjetivos e comparações e digamos que quando você quer muito chegar ao fim de um livro (onde a história é repetitiva) isso não ajuda nem um pouco. Sem contar que eu começava a devanear nas comparações tentando imaginar a sensação e entender o que a personagem sentia, ai quando eu tentei continuar a leitura precisei retornar algumas linhas para lembrar-se de onde estava.

Mas apesar desse ponto negativo, se eu tivesse que esquecer a história e lê-la novamente eu aceitaria. Antes que Eu Vá possui uma critica à toda a sociedade, a qual eu já havia notado nos primeiros capítulos, mas ainda assim era algo escondido. Uma crítica coberta. Essa obra não é uma moral sobre a vida particular da Sam, mas é necessário que o leitor veja pelo ângulo de todos os que estão presentes para que você possa entender um pouco do que a Lauren está nos passando.

"Estou ainda mais irritada do que deveria, por tudo: por ter sido abandonada por minhas amigas em apenas trinta segundos, por Rob estar completamente bêbado, por Kent ainda estar falando com Phobe Rifer, mesmo quando deveria ser obsessivamente apaixonado por mim." [pág. 50]

Esse livro é contado pela primeira pessoa, no olhar da Sam, e junto com ela repetimos o mesmo dia sete vezes, acompanhando a sua descoberta sobre as pessoas que antes ela nem enxergava: os excluídos, os que almoçam no banheiro, o cara popular, o ex-amigo de infância que não andam mais juntos porque ele não é tão conhecido como ela é. Antes Que Eu Vá faz uma critica a sociedade de um jeito disfarçado. Seria como uma daquelas músicas que evitavam ser barradas pela ditadura.

Sabe, é um bom livro. A história em si e a sua forma de narrativa pode parecer diferente para alguns de nós. Mas não devemos esperar por coisas iguais, certo? Os personagens, os pontos de vistas e a sinceridade é tudo tao real.  A Lauren Oliver parece levantar uma questão aos jovens: por que buscar por coisas fúteis? Ou os que o fazem buscar por isso. Se são as escolas, as festas, a liberdade mal administrada. Só lendo mesmo para você poder ter uma noção do que estou escrevendo. 


"Esse é outro aspecto sobre ser popular: não é preciso prestar atenção a quem presta atenção em você." [pág. 47]

— Ei — Kent diz suavemente, fazendo meu coração planar outra vez com aquela voz, deixando meu corpo too leve. — Agora não consigo ve-la. O rosto e o corpo dele sao sombras completas, escuridao em escuridao. Posso identificar seus contornos,e, é claro, sentir o calor da sua pele. Inclino-me para a frente, passano o queixo na aspereza do veludomdo casaco dele, encontrando a orelha, esbarrando nela acidentalmente com a minha boca. Ele inspira fluidamente,  seu corpo inteiro fica tenso. Meus coração é fluido, está voando."

Obrigada pela visita e pela atenção de vocês.
Até o próximo post. 

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