[Crítica] Fugitivos - Carlos Barros | LIVRO NACIONAL

16:17:00


    "Céus... O que foi isso? ❤ "

    Caraca! Me desculpem o vocabulário, mas quando temos a sorte de ler um livro daqueles que te sacode de emoção, se torna tudo tão incontrolável. Principalmente as lembranças.

Quando peguei esse livro eu estava mais pensando em como seria ler um livro dessa grossura e quanto tempo eu levaria. Me perguntei sobre como seria a história dos jovens e o que os levariam a fugir, me perguntei várias outras coisas, mas eu só não esperava isso tudo que aconteceu! É uma história maravilhosa e muito bem escrita. Então aviso logo que isso aqui não será uma resenha pequena, mas uma crítica falando sobre a escrita ótima e sensível do Carlos Barros e desse livro.

A narrativa é na terceira pessoa, e a história começa com Caio chegando a Belo Horizonte para morar com sua única parenta, a avó, depois de ter perdido os pais em um deslizamento e quase ter morrido junto. Com tudo tão recente, vamos acompanhando o garoto com seu processo de adaptação em uma nova cidade, com a sua terrível perda e sua insegurança em relação ao seu corpo no estado atual. Por sua avó ter uma banca de revista, Caio logo fica amigo do Jonas, um garoto apaixonado por quadrinhos, pela DC e
por vídeo games. No mesmo dia ele conhece Fernanda, a garota ruiva dos olhos verdes e a irmã mais velha do Jonas. No mesmo instante eu morri de amores e fofura em relação as reações do Caio e da Fê um pelo outro! Ele conhece Gabriel e a sua irmã mais nova (a fofura que me deixa tão ”awnn, quero abraçar e cuidar”) Bianca, depois de passar mal ao lembrar dos pais, do acidente e de todo o resto que precisou deixar para trás.
      O livro é separado por capítulos. Porém, divido em duas partes. Tipo “primeiro ato” e “segundo ato” sabe? A primeira parte se chama “De Onde Vem a Amizade”, onde iremos acompanhar ansiosamente a vida difícil que os personagens ainda jovens já enfrentam e suas adaptações diárias: Fernanda de 15 anos mora com os pais e o irmão, Jonas, de 11 anos em um apartamento. Seu pai é o tipo de “homem” estúpido e bruto, o qual por qualquer coisa encontra motivos para espancar Jonas. Fernanda é a minha personagem feminina favorita (depois falo mais sobre), ela está sempre defendendo o irmão, já que sua mãe, Letícia, não move um dedo em relação as agressões verbais e físicas do marido.
“- [...] Ficou calada. Eu quero que a senhora se coloque na frente dele se for preciso. Que segure a mão do papai ou que grite por socorro. Quero que faça qualquer coisa, menos que finja que não está vendo.” – Fernanda.
Gabriel tem um pai criminoso que está na cadeia e um irmão que está indo pelo mesmo caminho. Mas tem como sua alegria diária a sua irmã, a pequena Bianca de cinco aninhos. A vida do Gabi tem muito mais coisas envolvidas. Logo no começo o leitor pode perceber que a história é contada por alto, só o suficiente para que possamos no contentar naquele momento. Mas seja forte para quando você descobrir mais sobre o Gabi. Mexeu muito comigo...

    Sabe, Fugitivos é um livro que conta a história de jovens... Adolescentes, e nem é ficção fantástica. Fala sobre problemas sociais, família, amizade e nem é distopia. Não estou querendo diminuir os gêneros citados. Jamais! Mas quero deixar claro que a história contada nesse livro é do tipo que meche com o leitor. Daquelas que te deixa com um bolo na garganta e se o leitor ainda tiver algo em comum com algum personagem... a meu caro... vai arrasar você.
      A escrita do Carlos é do tipo ”simples-caprichada”, sabe? É simples porque conseguimos entender tudo e a leitura flui de maneira muito rápida; é caprichada porque ele narra tudo com muita sensibilidade. Com muito capricho! Eu só estava lá pela página 169 quando eu percebi em como a leitura iria arrasar meu psicológico. Acompanhei as situações difíceis do Gabi e da Bianca, a raiva e o medo do Jonas e da Fê e a tristeza profunda do Caio. Sabe, eu também me sentir super "em casa" lendo Fugitivos. Lendo sobre lugares que já fui ou que já ouvi falar... Não tenho como ser mais especifica: o autor aproveitou tudo do Brasil: desde a violência que destrói famílias, a diversidade cultural, até o "brasileiro", haha.

Fugitivos é daqueles livros para se emocionar e sorrir. Eu pude sorrir e me apaixonar, ao ver como os cinco ficavam tão felizes só pela companhia um do outro. Eles tinham muitos problemas, famílias desequilibradas e dois que nem tinham uma família completa, mas eles ficavam felizes nas coisas mais simples, sabe? Peguei-me várias vezes fechando o livro e respirando fundo, tentando me acalmar para não chorar (risos). Eu não nem precisei me por no lugar de alguns deles, porque eu já estive lá. Então por isso foi um tanto complicado. Ler as descrições de algumas situações era como estar revivendo algumas coisas. Eu sei exatamente como é a dor de alguns deles. A magoa, a raiva, o medo, o sentimento de impotência...

Isso me faz querer parabenizar o autor pela escrita. Soube como descrever os sentimentos e as situações de forma tão real. Teve momentos em que me questionei se algum dos personagens existem, e cheguei  conclusão que sim. Em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro, na Bahia, no Brasil, no mundo! Em vários lugares existem Fernanda's, Jona's, Gabriel's, Bianca's, e Caio's espalhados. Não vou nem dizer que é maravilhoso, mas sim gratificante encontrar obras que possam representar cada um de nós.

     Agora falando um pouco sobre o romance do livro. Foi muito, muito, muito gostoso ler a relação de Caio e da Fê. Ler aquele amor “puro” sabe? Até a cena de amor dos dois foi envolvente. Não era apenas sexo, era amor! Precisei esconder o sorriso bobo várias vezes enquanto lia em público. O Caio é um personagem muito real, até nessa área romântica. Não sei se é porque passei muito tempo lendo ficção fantástica com vampiros, anjos caídos, NA, mas foi muito bom acompanhar os dois pombinhos (como diz o Jonas). Teve momentos em que suspirei com os pensamentos do Caio. Achei ótimo o autor transmitir os sentimentos profundos dele e seu carinho pela Fê. Normalmente os personagens masculinos não falam tanto de amor da sua forma mais simples e sincera. Foi bom conhece um personagem que você pode se bater com ele na rua a qualquer momento¹, se é que vocês me entendem.
“Ela era a base que encontrou para se manter de pé e ficar equilibrado o suficiente para andar. Perto dela, ele sentia suas feridas cicatrizarem. Ela era sua cura.” [Pág: 175]
    A segunda parte do livro se chama "Por Uma Vida Melhor", quando Gabriel, Bianca, Caio, Fernanda e Jonas viajamos a vários lugares pela Bahia e Pernambuco. Eu estava bastante curiosa sobre essa parte e me surpreendi com tudo que li! Amei a viagem deles. Foi tudo tao bem narrado, desde as aventuras, ação, emoção até os lugares escolhidos (Feira de Santa, pertinho de mim, hehe). E os sotaques então? Foi bem divertido ver tantas coisas de culturas diferentes reunidas! E Fugitivos tem disso, sabe? Enquanto eu lia sobre os cinco jovens, descobri várias coisas legais sobre o nosso Brasil de meu Deus! Mais uma vez, parabéns Carlos. Seria ótimo se cada vez mais nossos escritores nacionais usassem da nossa cultura como você fez.

Eu avalio essa leitura com cinco estrelas e um coração roxo porque está entre os favoritos do ano. Concorrendo com livros da Becca Fitzpatrick e Tabitha Suzuma, :D. Gente, essa é uma obra que merece muito ser lida, relida, dada de presente... É o tipo de livro que acrescenta algo a sua vida, sabe? A escrita sensível do Carlos foi ótima, e em um dia eu tava olhando a grossura do livro, no outro eu tava chorando porque só restava 200 páginas (as quais eu consumi em uma noite)! Sem contar que me desidratei nas últimas páginas do livro... Pense em uma leitora que ficou desesperada!

Sinto muito orgulho quando percebo que existem escritores com potencial muitíssimo alto aqui no Brasil. Só fico triste porque não são muitos os leitores que buscam ler obras independentes! Mas leiam gente. Vocês realmente não fazem ideia do que estão perdendo (nem as editores de grande porte! *-*).

   PS: Se pudesse eu entrava na história só para da uns abraços esmagadores na Bianca! A personagem mirim mais linda e real que já li!
  ¹Um personagem que parece muito real. Todas as cenas não apenas do Caio mais de todos fluíram de maneira tao agradável! Sem motivos ou situações forçadas. O romance também nasceu e cresceu de forma extremamente natural. O envolvimento dos dois foram a coisa mais fofa, linda e real que já li.

FICHA TÉCNICA
AUTOR: Carlos H. Barros
PÁGINAS: 647
LANÇAMENTO: 2015
AVALIAÇÃO: 5/5 +  (Favorito)
GÊNERO: Aventura, Drama, Romance, Suspense e Mistério
ONDE COMPRAR: Aqui <3
EDITORA: Giostri

Sinopse: De onde vem a amizade? O que é necessário para se ter uma vida melhor? 
Caio, um carioca de 15 anos, perdeu os pais em uma tragédia e foi morar com a avó em Belo Horizonte. Cheio de traumas, causados pelo incidente que vitimou sua família, ele não tem mais desejo de retomar sua vida. Fernanda, de 15 anos, protege seu irmão Jonas, de 11 anos, do temperamento violento do pai. Ela se apaixona por Caio, e este por ela. O sentimento que nutrem, será o catalizador de uma briga que colocará em risco a segurança dos dois. Gabriel, de 17 anos, e Bianca, sua irmã de 5 anos, perderam a mãe, por ela ser viciada e ter sofrido uma overdose, e o pai está preso. Ficam sob a tutela da Justiça e do irmão mais velho, de 20 anos, que apoia o pai em planos escusos para melhorarem de vida.

   Em Fugitivos, acompanhamos o amor nascer entre Caio e Fernanda, e a força da amizade que surge entre os cinco jovens, de forma tão intensa, que o drama de cada um deixa de ser individual e passa a ser de todos. No momento em que suas histórias se misturam, eles precisam fugir para salvarem suas vidas. Nessa corrida emocionante, que atravessa os estados de Minas Gerais, Bahia, Alagoas e Pernambuco, mais de dois mil quilômetros, iremos descobrir seus sonhos, seus medos, suas tristezas e suas alegrias, tudo envolto por muito suspense, perigo, romance e reviravoltas surpreendentes.

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