[RESENHA] Os Garotos Corvos - Maggie Stiefvater #1

06:39:00




SINOPSE: Todo ano, na véspera do Dia de São Marcos, Blue Sargent vai com sua mãe clarividente até uma igreja abandonada para ver os espíritos daqueles que vão morrer em breve. Blue nunca consegue vê-los - até este ano, quando um garoto emerge da escuridão e fala diretamente com ela. Seu nome é Gansey, e ela logo descobre que ele é um estudante rico da Academia Aglionby, a escola particular da cidade. Mas Blue se impôs uma regra - ficar longe dos garotos da Aglionby. Conhecidos como garotos corvos, eles só podem significar encrenca.

Gansey tem tudo - dinheiro, boa aparência, amigos leais -, mas deseja muito mais. Ele está em uma missão com outros três garotos corvos - Adam, o aluno pobre que se ressente de toda a riqueza ao seu redor; Ronan, a alma perturbada que varia da raiva ao desespero; e Noah, o observador taciturno, que percebe muitas coisas, mas fala pouco. Desde que se entende por gente, as médiuns da família dizem a Blue que, se ela beijar seu verdadeiro amor, ele morrerá. Mas ela não acredita no amor, por isso nunca pensou que isso seria um problema. Agora, conforme sua vida se torna cada vez mais ligada ao estranho mundo dos garotos corvos, ela não tem mais tanta certeza.


Título Original: The Raven Boys
Autora: Maggie Stiefvater
Ano: 2013 Páginas: 376
Gênero (s): Liter. Estrangeira,
Fantasia, Romance, Sobrenatural
Editora: Verus

Minha Opinião:

    Já aviso logo que essa sinopse não resume nem um pouco o conteúdo bom do livro. Então calma, vamos por partes:

A Blue Sargent vive em uma casa só de mulheres: Maura a sua mãe; suas duas tias, Calla e Persephone, e ainda no começo do livro chega a sua meia-tia-cheia-dos-mistérios. Todas elas são videntes, exceto a Blue. Ela apenas torna o poder das pessoas e coisas a sua volta mais intensas. Um tipo de amplificador sobrenatural. Mas Blue sabe uma coisa sobre a sua vida: não só a sua mãe como outras videntes sempre lhe avisaram que quando ela beijasse o amor da sua vida, o mesmo morreria.
"Ela não estava interessada em ler o futuro de outras pessoas. Estava interessada em correr atrás do próprio futuro."
Richard "Dick" Gansey Campbell III, ou apenas Ganseyé vidrado em coisas sobrenaturais — como a "linha ley" e em encontrar um antigo Rei Galês, Glendower, que segundo a lenda afirma que o mesmo dorme esperando para ser acordado. Sua vida começa a se ligar com a da Blue quando em mais uma de suas buscas sobrenaturais, ele escuta a própria voz e a voz de uma garota na véspera de São Marcos. Sabendo o que aquilo significava, tomou o conselho de um dos amigos e marcou uma sessão com uma vidente da Rua Fox, 300.

"Todas as fontes diziam que os observadores de igrejas tinham que possuir 'a segunda visão', e Gansey mal possuía a primeira antes de colocar suas lentes de contato."

Book Trailer
         Ao ler o título, no mínimo eu imaginava algo do tipo: garotos que viravam corvos? Meio tosco eu sei. Mas encontrei uma história bem diferente. São quarenta e oito capítulos de muitas aventuras, mistérios e suposições para o leitor saborear. A autora escolheu narrar o livro na terceira pessoa e eu afirmo com toda certeza que ela fez uma ótima aposta! Acho ótimo quando os escritores escolhem essa técnica quando se é realmente necessário.

Os Garotos Corvos é um livro rico de muitas aventuras, misterio e muito capricho na escrita da autora. O fato da Blue não poder beijar o amor da sua vida é só um detalhe pequeno nessa história. A obra gira em torno não apernas da garota, mas também do personagem Gansey. Quando comecei a leitura não parava de pensar em quando eles se conheceriam pessoalmente e começaria toda aquela coisa de amor proibido, sabe? Mas a cada fim de capítulo as cenas terminavam ainda mais frenéticas. E isso é um ponto positivo para falar a verdade.

Deixa eu te explicar melhor: Maggie envolveu muita mágia nesse livro (e muito sarcasmos e diálogos engraçados também), desde coisas do tipo Linhas Ley até magia do tipo cartomante (eu ~particularmente~ confesso que pulei umas quatros páginas em um certo momento do livro (era de madrugada haha), mas não prejudicou a minha leitura).

É por isso que eu gostei da escolha do narrador fora da história. Uma das quatro estrelinhas é para a escrita criativa da autora. Sério gente. Nunca fiquei tão feliz em ler um livro narrado na terceira pessoa! Maggie não se contenta em simplesmente fazer dois personagens se trombarem na rua ou estudarem na mesma sala para que possam se conhecer. Mas, com uma atenção incrível e digna de escritores de fantasia e mistério, ela de forma paralela e sem aquela escrita arrastada soube nos apresentar a vida e personalidade de cada personagem, e com isso, conduzir todos para o centro da história. Ela soube fazer o verdadeiro trabalho do destino, sabe?

Um milhão de desculpas pela qualidade dessa imagem! Não irá se repetir! :((
         Leio muito livro de aventura e ficção, mas reconheço que a forma narrativa de "Os Garotos Corvos" foi bem diferente. Diferente até dos livros que já li na terceira pessoa. Todos os personagens foram bem criados e são tão únicos. Eu não apenas apeguei-me a eles como também me senti dentro da história. A Maggie apresenta-os ao leitor de uma forma tão natural e consequente. E o leitor percebe sabe? Não é do tipo que chegam até você e descrevem os personagens, mas eles mesmos se apresentam com atitudes, escolhas e sua vida pessoal.

A escritora é daquele tipo que não economiza tempo, então ela da muita informação (importante) para o leitor, que no momento pode ser só mais uma peça adicional ao quebra-cabeça, mas vai ser muito importante para o desfecho mais a frente. Leitores que gostam de bancar o detetive em tentar descobrir o que vai acontecer, ou quem é que fez o que, vai curtir bastante.

Quando eu falo de pontos sem nó é o seguinte: de 0 a 100, o livro já começa com um batimento cardíaco de 60. É um livro de 378 páginas, mas nenhuma página é de se jogar fora. Já começamos vendo a Blue encontrar a alma do futuro morto nos próximos 365 dias, Gansey. Impossível não ficar intrigado com isso! Depois temos a curiosidade de saber como os dois personagens irão se conhecer e é nesse intervalo de tempo que conhecemos várias outras pessoas e lugares (uma floresta cabulosa), e presenciamos acontecimentos — como o professor esquisitão de Latin, a Tia Neeve da Blue, e os problemas pessoais dos outros três garotos.

Maggie soube manter o ritmo da leitura sem faze-la ficar tediosa, e quando aumentava "os batimentos" eles não caiam mais, haha. <3 A vida dos personagens podem ser comparadas ao filtro do sonho (objeto): quando todos eles enfim chegam no meio e se conectam, os pontos começam a darem nó e a leitura chega a 100 batimentos cardíacos. Tudo foi bem programado nas primeiras páginas, e afirmo que fiquei besta em como não havia percebido certas coisas. Na verdade foi bem inesperado, e surpreendente. Bem surpreende!

A única coisa que tive um pouco de dificuldade foi em me concentrar um pouco. Mas acho que isso já é coisa de leitor. A gente começa a ler um paragrafo e quando vai ver já ta pensando em batata frita, marcador, comida, estante e comida. :D

"— Não acho que um garoto da Aglionby vai morrer de ataque cardíaco. Por que você faz questão de contar para os seus clientes? - Maura
— Para que eles possam colocar as coisas em ordem e fazer tudo que precisam fazer antes de morrer." - Blue

Falando dos personagens:

       Como eu disse antes são todos bem desenvolvidos, desde os personagens primários até os secundários. A família da Blue e o grupo de 4 garotos são personagens bem gostosos de se ler. Com tanta coisa acontecendo e histórias entre eles que parecem se complementarem, foi impossível eu não ficar com o pé atrás com alguns deles.

Adam é um desses. Ele é bem de boas, mas o Gansey é bem atencioso com seus amigos, principalmente com esse. Então, para mim, eu vejo o Adam mais como uma granada: fico esperando pelo momento em que em meio a tantos problemas ele vai explodir e ao invés de só se machucar, ele vai acabar machucando alguém a sua volta. Mas em certos momentos ele é bem fofo e carinhoso. Isso é o que mais me preocupa, haha. Na maioria das vezes ele consegue ser bem teimoso e se recusa a receber ajuda quando a sua situação financeira está cada vez pior. Mas ele deseja mudar de vida, e faz de tudo para honrar a sua bolsa integral do colégio.

Ronan e Noah, me parecem suspeitos também (Qual é? É um livro sobrenatural e de mistério. Até a arvore é suspeita!) Noah é bastante calado, mas sabemos que pessoas caladas são boas observadoras. Ele também é muito fofo com a Blue, do tipo irmão mais novo sabe? Mas ele também é do tipo de pessoa que você encontraria vagando pela casa ou na rua as três da madrugada. Toda sua história é explicada lá no fim do livro.

O Ronan já faz o tipo sinceridade nua e crua. Ele não se da bem com o irmão mais velho, sua mãe está doent, e foi ele quem encontrou o corpo do pai depois de ter sido assassinado. Ronan interroga mesmo e quando não gosta de alguma coisa ou de alguém, não faz questão de esconder. A questão, é que todo mundo já o conhece, então estão todos preparados para uma possível explosão. No fim das contas, todos são bastante unidos entre eles e cheios de sarcasmo, graça e ironia.

O Gansey é o personagem masculino mais diferente que eu já vi. Ele não participa da categoria badboy, nem o cara fodinha, muito menos o menos fodinha. Como o livro é bem focado na aventura, conhecemos pouco o seu lado social e colegial. Assim acabamos ficando com o Gansey que vive em busca de aventura e que prefere o camaro velho, a qualquer outro clássico da garagem do seu pai. Se brincar, o cara tem mais grana do que o homem de ferro e o Tio Patinhos juntos.

A Blue é ótima! Sem frescuras e nem toda aquele crise adolescente, sabe? A própria família dela vive chamando-a de sensata. E ela muitas vezes é tão sincera e legal que até tenta disfarçar. Vê se pode?

Essa é uma obra para quem gosta de mistério, magia, aventura... A verdadeira fantasia. Então, quem estiver esperando por muita "pegação no romance" nesse primeiro volume, não irá encontrar.


Obrigada pela sua atenção, baby.
Conversamos no próximo post e até lá interagimos nas redes sociais do blog.

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